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25 Anos depois de Titanic, o amor do Québec por Céline Dion continua

Reportagem do jornal The New York Times, tradução do portal Terra:

THE NEW YORK TIMES – MONTREAL – Era noite de sexta-feira em Montreal, e centenas de pessoas eufóricas dançavam e cantavam ‘t’s All Coming Back to Me Now numa festa lotada em homenagem a Celine Dion. Um jovem brilhava com uma versão caseira do capacete dourado de penas de pavão que Dion usou no Met Gala alguns anos atrás. Outro ficou boquiaberto com um mini-santuário de perucas inspiradas em Dion, exibindo seus penteados ao longo das décadas. “Numa era de estrelas arrogantes, ela é sempre autêntica”, disse Simon Venne, estilista de 38 anos. “Ela é tudo para nós, um orgulho, nossa rainha”.

Se alguma vez houve alguma sensação de que Quebec, a província de língua francesa que é terra natal de Dion, estava em conflito sobre a ascensão de Dion ao estrelato global com sucessos pop que ela muitas vezes cantava em inglês, isso foi dissipado. Ela agora ocupa um espaço elevado aqui, experimentando um renascimento cultural à medida que a geração mais jovem de Quebec a abraça descaradamente: a Rádio Canadá, a emissora nacional de língua francesa, analisa sua vida no podcast Celine, She’s the Boss!. Uma série documental chamada “É legal gostar de Celine Dion” explorou seu apelo entre os millennials. E as competições de drag de Celine Dion estão aumentando.

Neste mês, o anúncio emocionado de Dion de que ela está sofrendo de uma condição neurológica rara chamada síndrome da pessoa rígida, forçando-a a adiar as datas da turnê, foi recebido com uma emoção extraordinária. Políticos quebequenses de todo o espectro, entre eles o primeiro-ministro de Quebec, François Legault, e o chefe de um partido que defende a independência da província do Canadá, manobraram para expressar simpatia por Dion, 54 anos. Os fãs lamentaram nas redes sociais.

Uma manchete no Le Devoir, um influente jornal de Quebec, a chamou de “Celine, Rainha Quebequense”. Dion, observou o jornal, alcançou o status de ícone intocável depois de passar anos sendo criticada por alguns e ridicularizada por outros. “É como ouvir que sua tia está doente”, disse Venne, o fã emplumado. “Celine é famosa no mundo todo, mas aqui ela é família”.

A intensidade da reação aqui – 25 anos após a estreia do filme de grande sucesso Titanic, que ajudou a tornar onipresente a bombástica e exuberante My Heart Will Go On – mostra o quanto o fandom de Celine e as ideias da identidade quebequense evoluíram ao longo do tempo, conforme a filha mais famosa da província atingia a maturidade.

Durante uma recente visita ao Celine Dion Boulevard em Charlemagne, um trecho de estrada sem alma na cidade operária de cerca de 6 mil habitantes nos arredores de Montreal, onde Dion nasceu, um grupo de vinte e poucas pessoas disse que não era mais constrangedor admitir que gosta da música dela.

“Ficar preso em casa durante a pandemia deixou as pessoas nostálgicas, e tudo o que é antigo e vintage está na moda”, disse Gabriel Guénette, 26 anos, estudante universitário e ex-entregador do Uber, explicando por que ele e seus amigos estavam cantando The Power of Love durante as noites de karaokê. A mensagem de esperança e otimismo de Dion, acrescentou, ressoou em tempos incertos.

Os moradores mais velhos de Charlemagne ainda se referem a ela como “notre petite Celine” – nossa pequena Celine – e relembram seus dias de adolescente tímida que cantava baladas francesas com seus 13 irmãos e irmãs no restaurante da família. Os mais jovens – como Meghan Arsenault, 15 anos, que frequenta a escola onde Dion estudou – cresceram cantando suas canções.

Em Quebec, província francófona de 8,5 milhões de pessoas que foi fustigada por séculos de subjugação e medo de ser dominada pela língua inglesa, Dion às vezes foi uma figura polarizadora. Mesmo com muitos fãs a abraçando ardentemente, ela foi descartada por alguns críticos como o equivalente cultural do poutine, o lanche quebequense de batatas fritas e coalhada de queijo embebido em molho, geralmente consumido, com alguma culpa, às 3 da manhã.

Martin Proulx, produtor que apresentou o podcast Celine, She’s the Boss! lembrou que, quando era adolescente gay em Montreal na década de 1990, escondia o fato de estar ouvindo o álbum ‘Let’s Talk About Love’ em seu Sony Walkman. “Não era legal curtir Celine quando eu estava no ensino médio. As crianças da minha idade ouviam hip-hop e rock pesado, e ela era para as mães que assistiam à Oprah”, lembrou ele.

Yannick Nézet-Séguin, diretor musical do Metropolitan Opera de Nova York, nascido em Quebec, disse que sua primeira lembrança de Dion é de 1984, quando ele tinha 8 anos. Dion, então aos 16 anos, cantou uma música sobre uma pomba na frente do Papa João Paulo II e 60 mil pessoas no Estádio Olímpico de Montreal. Nézet-Séguin disse que ficou orgulhoso por ela ser também quebequense e disse que vê Dion como uma “diva” no sentido operístico da palavra.

“Quando penso numa diva, penso em personalidade, em ter algo reconhecível artisticamente. E não se pode negar o virtuosismo do canto de Celine”, disse ele. O fascínio por Dion perdura em parte porque sua história de Cinderela nunca envelhece. Como caçula de 14 filhos de um açougueiro acordeonista e uma dona de casa de Charlemagne, a primeira cama de Dion foi uma gaveta.

Aos 12 anos, ela coescreveu sua primeira música, Ce n’était qu’un rêve, com a ajuda de sua mãe e seu irmão Jacques. Seu irmão Michel enviou uma fita demo ao empresário René Angélil, que se tornou seu empresário e, posteriormente, seu marido. Dion passou por uma transformação completa, desaparecendo por 18 meses em 1986 para estudar inglês, arrumar os dentes, fazer permanente no cabelo e ter aulas de voz e dança. Nasceu uma estrela.

Quando Angélil morreu em 2016, dois dias antes de seu 74º aniversário, seu funeral de dois dias meticulosamente coreografado na Basílica de Notre-Dame de Montreal foi televisionado pela CBC, a emissora nacional, e as bandeiras foram hasteadas a meio mastro em Quebec. Com um véu preto, Dion ficou ao lado do caixão aberto de seu marido por sete horas, cumprimentando os dignitários de Quebec e o público.

Nos anos seguintes, Dion reformulou sua imagem analógica para a era do Instagram. Um moletom Vetements Titanic que ela usava em Paris em 2016 quebrou a internet. Alguns anos depois, ela roubou a cena no Met Gala com um body cor de champanhe Oscar de la Renta adornado com lantejoulas prateadas.

Sua aparição maluca e autodepreciativa no Carpool Karaoke de James Corden em 2019, durante o qual ela cantou ‘My Heart Will Go On’ em frente a uma réplica da proa do Titanic na fonte do Bellagio Hotel, em Las Vegas, ajudou algumas pessoas que tiravam sarro dela a perceber que ela tinha entrado na brincadeira. Agora seu fandom parece mais forte do que nunca.

Mario Bennett, 36 anos, que trabalha numa casa de shows, começou a cobrir cada centímetro de seu apartamento com memorabilia de Dion no início da pandemia. Ele disse que, ao longo da vida, sua voz poderosa foi um toque de clarim para sonhar alto. Entre seus bens mais valiosos está uma boneca colecionável não autorizada de Celine, usando uma versão do vestido de veludo azul meia-noite que a cantora usou no Oscar em 1998.

“Ela me faz sentir que tudo é possível”, disse ele.

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